Um blog sobre livros, personagens, enredos e pensamentos soltos. O leitor pode ainda encontrar ideias para novas leituras.
Sou professor Dr. em Farmacologia. No entanto, começo agora, já com meus 38 anos o caminho para o sacerdócio. Um caminho longo, mas de muita alegria.
Este é um
belo livro. Um tanto quanto místico, sendo que, evidentemente, os que gostam de
uma leitura mais espiritual, centrada nas características misteriosas e divinas que
envolveram a vida deste Santo, irão gostar muito.
A história
de João Paulo II desde seu nascimento é longa. Logo, se impõe ao autor uma
maneira de deixar o leitor mais confortável. Simplesmente seguir a ordem
cronológica dos acontecimentos seria enfadonho. Allegri então não seguiu uma
ordem, mas temas.
Abordou, os
números do papado, o terceiro segredo de Fátima e sua possível relação com o
Sumo Pontífice, a questão da segunda guerra e depois o comunismo na Polônia.O encontro com o Padre Pio e sua
profecia sobre o futuro papa, a questão da austeridade em que o então padre
vivia, a vida como professor, como ator, o movimento com os jovens, as viagens
de caiaque pelos lagos com os jovens, escondidos dos comunistas, o Concílio
Vaticano II e sua eleição.
Posteriormente,
o autor não foca nas inúmeras viagens, no comunismo, e nas questões polícias e
econômicas. Detém-se nas coisas místicas que ocorreram em seu pontificado após
o atentado.
Como setembro é o mês de aniversário de um dos
maiores gênios musicais que o mundo já viu, me propus dedicar um post a ele.
Mais do que a simples leitura, peço ao leitor que também escute um pouco de
sua obra (abaixo).
Gould aprendeu piano com sua mãe. Com dez anos já
cursava o Royal Conservatory of Music em Toronto, no Canadá. Sua primeira
apresentação foi em 1945, com 13 anos. Em suas gravações não é incomum encontrar sua voz percorrendo a melodia. Ele também usava o mesmo banquinho de criança para tocar. Coisas de um excêntrico.
Gleen Gould
Sem dúvida alguma, sua maior contribuição foi sua gravação das 30 variações de Goldberg, de Jhohann Sebastian Bach
(1685-1750). Elas foram escritas por Bach em 1741, para o Conde Hermann
Conde Keyserling
Karl Von
Keyserling. Feitas inicialmente para cravo, foram executadas para o conde por
Johann Gottlieb Goldberg (1721 – 1756).
Goldberg
As variações de Goldberg podem ser ouvidas em
todos os filmes da tetralogia Hannibal. Em um episódio do seriado Hannibal, o
personagem toca os primeiros acordes em um cravo. Já no filme de 2000 o ator
Antony Hopkins aparece tocando as primeiras variações ao piano.
Gould morreu jovem, em 1982, vítima de um acidente
vascular encefálico hemorrágico.
Primeiramente considerada uma obra autobiográfica
escrita pelo próprio Henri Charrière e eleita
como uma das melhores histórias de aventura já contadas.
Acredita-se que através
de estudos realizados recentemente as fugas e as aventuras
foram na
verdade uma compilação feita por Charrière, das protagonizadas por seus
conhecidos de prisão. Além disso, existe a versão de que o autor se apropriou
da história de René Belbenoite.
Realizei a leitura em 1997 quando me preparava para prestar vestibular na UFSM para o
curso de Farmácia (22 por vaga na época). A obra ajudou-me
a organizar meus estudos, pois me identifiquei
com o personagem em alguns aspectos. Tinha uma rotina de estudos que, salvo o
horário de alimentação, observava uma hora de
leitura e dez minutos de sono, permanecendo mais
de dez horas em um quarto de pensão para estudar.Tudo
era muito regrado,
como se fosse realmente uma espécie de prisão. Ajudou-me muito também na época, meu
companheiro de quarto, que já iniciava o curso de medicina e hoje,
é médico radiologista de muito prestígio (Dr. Rômulo Tonon).
Segundo Charrière, este fora preso injustamente
por assassinato, na França da década de trinta e posteriormente enviado para a Guiana Francesa. O
início da história é um pouco arrastado, mas ajuda o leitor a entrar no clima, quando o apenado, em prisão provisória, caminha de um
lado a outro na cela, pensando em sua situação.
Papillon era assim chamado devido a uma borboleta tatuada
no peito. Havia várias prisões na Guiana
Francesa, em várias ilhas da península. Papillon fez
várias tentativas de fuga da prisão e a mais
interessante foi quando alcançou uma colônia de
leprosos. Acabou sendo preso novamente e aí foi levado
para a Ilha do Diabo, da qual ninguém jamais
Ilha do Diabo - Guiana Francesa
havia escapado, tendo em vista os
rochedos e as ondas investindo contra estes com fúria.
Papillon virou um mito na Guiana, de tal forma que os guardas o respeitavam. Charrière
chegou a ficar anos em uma solitária e acabou sobrevivendo por que recebia um coco de quando em quando, desviado por um guarda. Também
comia baratas. Em cada fuga, sua pena sofria um
acréscimo. Então o leitor começa a pensar que ele realmente nunca sairia de lá.
Considero este
livro um daqueles que todos têm a obrigação de ler. O exemplar que li, da
década de 70, tinha 850 páginas e quando o fim se aproximava eu só fazia
lamentar, pois a história é muito boa, e nos faz torcer
pelo personagem. Também há o filme de 1973 com Steve McQueen e Dustin Hoffman.
Papillon ficou preso entre 1931-1945, quando
conseguiu escapar. Sua pena prescreveu em 1967 e o livro o fez milionário.
Todavia, morreu pobre em 1973, entregue à bebida, e de
câncer na garganta.
Quem gosta de ler obras de filosofia deve ter tido contato
com Sartre (1905 -1980). Este escritor francês, com ideais políticos expressos com suas ações, éconsiderado
filósofo representante do existencialismo.
confusão devido a um mundo sem
sentido e absurdo. São temas constantes a solidão, o tédio, o silêncio. Existe
um questionamento da existência humana, com ênfase no seu sentido e os atos
humanos em si e seus propósitos. Mas uma coisa é importante salientar, nem
todos estes filósofos existencialistas eram ateus. Dentre esses Kafka e
Dostoiévski.
Segundo Sartre, a existência precede a essência. Primeiro existimos, depois nos definimos como
essência e para
isso adquirimos pontos de vista e convicções.
Em 1964 Sartre ganhou o prêmio Nobel de literatura, que
recusou, causando escândalo
na academia sueca. “Nenhum ser humano deve virar uma instituição”.
Jornal da época comentando a recusa do prêmio Nobel.
A Náusea
foi seu primeiro livro, escrito em 1938, enquanto ainda lecionava, parando de fazê-lo em 1943. Este livro me foi indicado por um companheiro de apartamento na época do mestrado. Por
ser relativamente pequeno, achei que seria de rápida leitura. Equivoquei-me completamente.
Geralmente quem não
éfilósofo e consegue terminar este livro,
olha para mim com uma cara de ressaca, quando
comento que gostei da obra.
Sim, o livro é monótono, éescrito
na primeira pessoa, mas nos passa exatamente o
que éo
existencialismo. O protagonista, historiador, chamado Antoine Roquentin, estáem uma cidade estranha para escrever uma biografia.
Com o desenrolar da história
o personagem começa
a sentir um vazio existencial, tédio
e uma sensação de
que o ser humano existe sem grandes objetivos ou com objetivos absurdos, chama
isso de “A náusea”.
O fato do livro ser
em primeira pessoa, nos dáa dimensão
do desespero sereno (se éque
isto existe) de Roquentin. O livro leva o leitor a pensar sobre a condição humana, seus
objetivos, sendo que juntamente com o personagem, acabamos vendo muitas atitudes
humanas sem sentido e lembramo-nos de quando
sentimos tédio.
Quando eu era uma criança
de seis anos e a corrida de F1 passava na TV, lembro de perguntar ao meu pai
quanto tempo ainda iria demorar, mas o fazia sóna expectativa de algo mais divertido para fazer,
pois sentia um tédio
enorme. “Ah, não tenho nada para
fazer”dizia.
Esta obra fez-me lembrar desta sensação, que volta e meia me acompanha.
Assim, pensamos todos na existência,
pelo menos em algum momento da vida. Os absurdos dos ataques terroristas nos levam a pensar como filósofos existencialistas, pois qual será o objetivo
da vida humana, e das atitudes humanas. Eis o existencialismo.
Agradeço imensamente ao professor Dr. Sydney Hartz Alves (professor da UFSM e paraninfo de minha turma), por esta generosa colaboração com este Blog e torço para que venham muitas mais. As colaborações são muito importantes.
O Brasil de Gógol
Nikolai Gógol
Nikolai Gógol, escritor russo do
século XIX (1809-1852) foi um dos melhores representantes do realismo e tem em
“Almas Mortas” sua obra-prima. Apesar de inacabada, o volumoso romance,
ambientado no interior da Rússia imperial, tem como herói Pável Tchitchicov.
Gógol nunca esteve no Brasil! Mas a “brasilidade“ de seu romance está na
contemporaneidade com certas práticas sociais bem atuais no Brasil. Na Rússia
do século XIX, o regime de servidão contrastava com o afrancesamento das
classes abastadas; o Serviço Público era a matriz da ocupação da classe média,
mas é na corrupção generalizada desta sociedade agonizante que enxergamos o
primeiro ponto em comum com o Brasil atual. Tchitchicov, o herói-malandro,
comprava servos já falecidos (as almas mortas) para auferir lucros na
colonização de espaços vazios daquele gigante império; o governo pagaria com
base na documentação da posse de tais servos, de fato, inexistentes.
Apesar da comicidade e saborosa leitura, o pano de fundo é a tramóia, a propina,
o escamoteamento. Em toda obra só aparecem dois indivíduos honestos, isto que
nos romances russos há dezenas de personagens. O primeiro destes honestos é
Constangioglio, que é citado como não russo, deixando o leitor concluir que
fosse italiano; é bem disposto, trabalhador, honesto e, vê no trabalho rural a
mão divina que altera as estações do ano;
sua propriedade rural é exemplar. Queria
Gógol nos dizer que entre russos não haveria homem com honestas relações com o
trabalho? O segundo personagem honesto é o velho Murázov, que imbuído de grande
bondade e abraçando a religião, recupera alguns degenerados; sugerindo que
entre os mais religiosos ainda se encontravam pessoas de bons princípios.
Um segundo ponto comum com o Brasil, pode ser detectado em certas
similaridades com Machado de Assis. O patrono brasileiro deve ter bebido na
fonte de Gógol: a fina ironia, a comédia, o inusitado e o freqüente diálogo
entre autor e leitor, são traços comuns a estes dois magos do romance. Como
Gógol é mais velho, suspeito que Machado tenha se inspirado no russo.
Desconheço análises literárias fazendo esta relação, mas, se ainda não fizeram,
é um prato cheio para estudos acadêmicos.
Por fim, registro meu duplo pesar: meu idolatrado Machado de Assis ficou
menor e minha preocupação com os rumos que nossa “brasilidade” tomou! Queira
Deus e todos os santos do sincrético panteão religioso brasileiro que não
precisemos amargar as tempestades como aquelas que os russos viveram para que
endireitemos o país verde-amarelo. Gógol viveu na Rússia do século XIX, mas o
Brasil de Gógol, é o assustadoramente corrupto, Brasil atual.
Este livro me foi indicado por uma ex-aluna. Uma amiga agora, que gosta de ler e começou o curso de filosofia. Ser professor é ter estas coisas boas e interessantes, como conhecer pessoas que gostam de leitura e são bem avançadas até para sua idade. Obrigado Eduarda Brum Marquetto (Bast)
Primeiramente,
gostaria de chamar a atenção do leitor para o escritor. Dumas teve várias
características peculiares em sua vida. Apesar de ter morrido em 1870, somente
no bicentenário de sua morte foi sepultado
no panteão em Paris. Muitos não o sabem,
Túmulo no Panteão em Paris
mas Dumas era filho de um grande
militar e de uma escrava, sendo portanto mulato. Nesta questão, reside grande
parte do preconceito que ocorreu com ele, mesmo após sua morte. Outra questão
que provavelmente deve ter influenciado o sepultamento tardio junto aos grandes
escritores, foram as dívidas no final da vida, enlouquecendo os 153 credores.
Alexandre Dumas
Dumas
também teve muitos casos amorosos. Muitos. Teve quatro filhos, mas assumiu
somente dois, sendo um chamado de Alexandre Dumas filho, para evitar confusão.
Sobre a
obra, que achei fantástica, houve 10 filmes inspirados nela, sendo o primeiro
em 1918 e o último em 2002. Também foi feita uma série para a televisão em
1998. Além disso, o seriado “Revenge” (vingança), exibido no Brasil pela TV
GLOBO, foi inspirado no livro.
Resumidamente,
Edmond Dantès é preso injustamente em uma masmorra sem luz, através de um plano
arquitetado por um grupo de pessoas impregnadas de inveja. Lá, é esquecido pelo
procurador do rei propositalmente onde fica durante 14 anos, nos quais pensa
muito em tirar a própria vida. A história começa a
O encontro entre Edmond e o Padre.
mudar quando conhece um
padre (companheiro de masmorra, mas não de cela) e aprende muitos
conhecimentos: línguas, matemática, filosofia, esgrima. Quando consegue a
liberdade, descobre na Ilha de Monte Cristo um tesouro inestimável, com
diamantes e muito ouro. Mais uma ajuda de seu amigo padre.
Com
fisionomia diferente da antiga, devido ao cárcere, o evadido se infiltra na
alta sociedade parisiense e começa um plano muito arquitetado para se vingar de
seus algozes. Autointitula-se Conde de Monte Cristo.
O Conde à Direita
O livro é
enorme, a edição de 2008 (Editora Zahar) tem mais de meio quilo e 1376 páginas,
creio que devido ao modo de como foi publicado, em folhetins entre 1844 e 1846.
Este tipo de publicação também dá ao autor um “feedback” do público, o que
ajuda a lapidar o enredo. Também acredito que houve, por parte de Dumas e
Marquete, seu colaborador, uma boa edição, com bons cortes, uma vez que a
história do Conde no Oriente onde conhece uma bela grega, não aparece na obra.
Destaco
algumas marcações que fiz na obra:
“- É
típico dos espíritos fracos verem todas as coisas através do luto. É a alma que
desenha por si só seus horizontes. Sua alma está escura, é ela que lhe impõe um
céu tempestuoso.”
“ … não
existe nem felicidade nem infelicidade neste mundo, existe a comparação de uma
com a outra, só isso. Apenas aquele que atravessou o extremo infortúnio está
apto a sentir a extrema felicidade. É preciso ter desejado morrer, Maximilien,
para saber como é bom viver.”
“As
feridas morais têm essa particularidade: elas se escondem, mas não se fecham.
Sempre dolorosas, prontas a sangrar quando tocadas, elas permanecem vivas e
abertas no coração.”
A que eu
mais gosto (com um tom de ironia de Dumas):
“Enfim, uma
aplicação do ditado: Finge valorizar-te e serás valorizado, que é cem vezes
mais útil em nossa sociedade que o ditado grego: Conhece-te a ti mesmo,
substituído em nossos dias pela arte menos difícil e mais vantajosa de conhecer
os outros.”
Por fim,
ressalto a última frase do livro: “esperar e ter esperança”.
É um
romance, uma aventura, uma história de vingança, mas sobretudo, uma história de
resiliência e perseverança.
Neste post apresento a execução da música intitulada "And The Waltz Goes on" de autoria de Antony Hopkins, escrita há 50 anos (ganhador do óscar pela atuação em Hannibal).
Castelo de André Rieu
Hopkins é um bom músico e pianista. Já André Rieu não precisa de grandes apresentações, possui uma orquestra própria, a qual, a partir de um telefonema se apresenta para o ensaio em seu castelo (Castelo de Torentejes), local onde mora, em Maastricht, Holanda.
É uma música emocionante. São músicas como esta que elevam a alma.