segunda-feira, 12 de outubro de 2015

OS MISTÉRIOS DO PAPA WOJTYLA - RENZO ALLEGRI

Este é um belo livro. Um tanto quanto místico, sendo que, evidentemente, os que gostam de uma leitura mais espiritual, centrada nas características misteriosas e divinas que envolveram a vida deste Santo, irão gostar muito.

A história de João Paulo II desde seu nascimento é longa. Logo, se impõe ao autor uma maneira de deixar o leitor mais confortável. Simplesmente seguir a ordem cronológica dos acontecimentos seria enfadonho. Allegri então não seguiu uma ordem, mas temas.

Abordou, os números do papado, o terceiro segredo de Fátima e sua possível relação com o Sumo Pontífice, a questão da segunda guerra e depois o comunismo na Polônia. O encontro com o Padre Pio e sua profecia sobre o futuro papa, a questão da austeridade em que o então padre vivia, a vida como professor, como ator, o movimento com os jovens, as viagens de caiaque pelos lagos com os jovens, escondidos dos comunistas, o Concílio Vaticano II e sua eleição.
 

Posteriormente, o autor não foca nas inúmeras viagens, no comunismo, e nas questões polícias e econômicas. Detém-se nas coisas místicas que ocorreram em seu pontificado após o atentado.









sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Gleen Gould (1932 - 1982)



Como setembro é o mês de aniversário de um dos maiores gênios musicais que o mundo já viu, me propus dedicar um post a ele. Mais do que a simples leitura, peço ao leitor que também escute um pouco de sua obra (abaixo).


Gould aprendeu piano com sua mãe. Com dez anos já cursava o Royal Conservatory of Music em Toronto, no Canadá. Sua primeira apresentação foi em 1945, com 13 anos. Em suas gravações não é incomum encontrar sua voz percorrendo a melodia. Ele também usava o mesmo banquinho de criança para tocar. Coisas de um excêntrico. 
Gleen Gould

Sem dúvida alguma, sua maior contribuição foi sua gravação das 30 variações de Goldberg, de Jhohann Sebastian Bach (1685-1750). Elas foram escritas por Bach em 1741, para o Conde Hermann
Conde Keyserling
Karl Von Keyserling. Feitas inicialmente para cravo, foram executadas para o conde por Johann Gottlieb Goldberg (1721 – 1756).
Goldberg
As variações de Goldberg podem ser ouvidas em todos os filmes da tetralogia Hannibal. Em um episódio do seriado Hannibal, o personagem toca os primeiros acordes em um cravo. Já no filme de 2000 o ator Antony Hopkins aparece tocando as primeiras variações ao piano.
Gould morreu jovem, em 1982, vítima de um acidente vascular encefálico hemorrágico.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

PAPILLON - Henri Charrière

Primeiramente considerada uma obra autobiográfica escrita pelo próprio Henri Charrière e eleita como uma das melhores histórias de aventura já contadas. Acredita-se que através de estudos realizados recentemente as fugas e as aventuras
foram na verdade uma compilação feita por Charrière, das protagonizadas por seus conhecidos de prisão. Além disso, existe a versão de que o autor se apropriou da história de René Belbenoite.


Realizei a leitura em 1997 quando me preparava para prestar vestibular na UFSM para o curso de Farmácia (22 por vaga na época). A obra ajudou-me a organizar meus estudos, pois me identifiquei com o personagem em alguns aspectos. Tinha uma rotina de estudos que, salvo o horário de alimentação, observava uma hora de leitura e dez minutos de sono, permanecendo mais de dez horas em um quarto de pensão para estudar.Tudo era muito regrado, como se fosse realmente uma espécie de prisão. Ajudou-me muito também na época, meu companheiro de quarto, que já iniciava o curso de medicina e hoje, é médico radiologista de muito prestígio (Dr. Rômulo Tonon).

Segundo Charrière, este fora preso injustamente por assassinato, na França da década de trinta e posteriormente enviado para a Guiana Francesa. O início da história é um pouco arrastado, mas ajuda o leitor a entrar no clima, quando o apenado, em prisão provisória, caminha de um lado a outro na cela, pensando em sua situação.

Papillon era assim chamado devido a uma borboleta tatuada no peito. Havia várias prisões na Guiana Francesa, em várias ilhas da península. Papillon fez várias tentativas de fuga da prisão e a mais interessante foi quando alcançou uma colônia de leprosos. Acabou sendo preso novamente e aí foi levado para a Ilha do Diabo, da qual ninguém jamais
Ilha do Diabo - Guiana Francesa
havia escapado, tendo em vista os rochedos e as ondas investindo contra estes com fúria. 

Papillon virou um mito na Guiana, de tal forma que os guardas o respeitavam. Charrière chegou a ficar anos em uma solitária e acabou sobrevivendo por que recebia um coco de quando em quando, desviado por um guarda. Também comia baratas. Em cada fuga, sua pena sofria um acréscimo. Então o leitor começa a pensar que ele realmente nunca sairia de lá.

Considero este livro um daqueles que todos têm a obrigação de ler. O exemplar que li, da década de 70, tinha 850 páginas e quando o fim se aproximava eu só fazia lamentar, pois a história é muito boa, e nos faz torcer pelo personagem. Também há o filme de 1973 com  Steve McQueen e  Dustin Hoffman.


Papillon ficou preso entre 1931-1945, quando conseguiu escapar. Sua pena prescreveu em 1967 e o livro o fez milionário. Todavia, morreu pobre em 1973, entregue à bebida, e de câncer na garganta. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A NAUSEA – Jean-Paul Sartre



Quem gosta de ler obras de filosofia deve ter tido contato com Sartre (1905 -1980). Este escritor francês, com ideais políticos expressos com suas ações, é considerado filósofo representante do existencialismo.


Jean-Paul Sartre

O existencialismo foi inspirado nas obras de Arthur Schopenhauer, Søren Kierkegaard, Fiódor Dostoiévski e nos filósofos alemães Friedrich Nietzsche, Edmund Husserl e Martin Heidegger e se caracteriza por um indivíduo que sofre uma desorientação e
confusão devido a um mundo sem sentido e absurdo. São temas constantes a solidão, o tédio, o silêncio. Existe um questionamento da existência humana, com ênfase no seu sentido e os atos humanos em si e seus propósitos. Mas uma coisa é importante salientar, nem todos estes filósofos existencialistas eram ateus. Dentre esses Kafka e Dostoiévski.



Segundo Sartre, a existência precede a essência. Primeiro existimos, depois nos definimos como essência e para isso adquirimos pontos de vista e convicções.



Em 1964 Sartre ganhou o prêmio Nobel de literatura, que recusou, causando escândalo na academia sueca. “Nenhum ser humano deve virar uma instituição”.

Jornal da época comentando a recusa do prêmio Nobel. 


A Náusea foi seu primeiro livro, escrito em 1938, enquanto ainda lecionava, parando de fazê-lo em 1943. Este livro me foi indicado por um companheiro de apartamento na época do mestrado. Por ser relativamente pequeno, achei que seria de rápida leitura. Equivoquei-me completamente. Geralmente quem não é filósofo e consegue terminar este livro, olha para mim com uma cara de ressaca, quando comento que gostei da obra.


Sim, o livro é monótono, é escrito na primeira pessoa, mas nos passa exatamente o que é o existencialismo. O protagonista, historiador, chamado Antoine Roquentin, está em uma cidade estranha para escrever uma biografia. Com o desenrolar da história o personagem começa a sentir um vazio existencial, tédio e uma sensação de que o ser humano existe sem grandes objetivos ou com objetivos absurdos, chama isso de A náusea.

O fato do livro ser em primeira pessoa, nos dá a dimensão do desespero sereno (se é que isto existe) de Roquentin. O livro leva o leitor a pensar sobre a condição humana, seus objetivos, sendo que juntamente com o personagem, acabamos vendo muitas atitudes humanas sem sentido e lembramo-nos de quando sentimos tédio. Quando eu era uma criança de seis anos e a corrida de F1 passava na TV, lembro de perguntar ao meu pai quanto tempo ainda iria demorar, mas o fazia só na expectativa de algo mais divertido para fazer, pois sentia um tédio enorme. Ah, não tenho nada para fazer dizia. Esta obra fez-me lembrar desta sensação, que volta e meia me acompanha.



Assim, pensamos todos na existência, pelo menos em algum momento da vida. Os absurdos dos ataques terroristas nos levam a pensar como filósofos existencialistas, pois qual será o objetivo da vida humana, e das atitudes humanas. Eis o existencialismo.  

sábado, 29 de agosto de 2015

O Brasil de Gógol

Agradeço imensamente ao professor Dr. Sydney Hartz Alves (professor da UFSM e paraninfo de minha turma), por esta generosa colaboração com este Blog e torço para que venham muitas mais. As colaborações são muito importantes.
 
 
O Brasil de Gógol

 

Nikolai Gógol
                Nikolai Gógol, escritor russo do século XIX (1809-1852) foi um dos melhores representantes do realismo e tem em “Almas Mortas” sua obra-prima. Apesar de inacabada, o volumoso romance, ambientado no interior da Rússia imperial, tem como herói Pável Tchitchicov. Gógol nunca esteve no Brasil! Mas a “brasilidade“ de seu romance está na contemporaneidade com certas práticas sociais bem atuais no Brasil. Na Rússia do século XIX, o regime de servidão contrastava com o afrancesamento das classes abastadas; o Serviço Público era a matriz da ocupação da classe média, mas é na corrupção generalizada desta sociedade agonizante que enxergamos o primeiro ponto em comum com o Brasil atual. Tchitchicov, o herói-malandro, comprava servos já falecidos (as almas mortas) para auferir lucros na colonização de espaços vazios daquele gigante império; o governo pagaria com base na documentação da posse de tais servos, de fato, inexistentes.


Apesar da comicidade e saborosa leitura, o pano de fundo é a tramóia, a propina, o escamoteamento. Em toda obra só aparecem dois indivíduos honestos, isto que nos romances russos há dezenas de personagens. O primeiro destes honestos é Constangioglio, que é citado como não russo, deixando o leitor concluir que fosse italiano; é bem disposto, trabalhador, honesto e, vê no trabalho rural a mão divina que altera as estações do ano;
sua propriedade rural é exemplar. Queria Gógol nos dizer que entre russos não haveria homem com honestas relações com o trabalho? O segundo personagem honesto é o velho Murázov, que imbuído de grande bondade e abraçando a religião, recupera alguns degenerados; sugerindo que entre os mais religiosos ainda se encontravam pessoas de bons princípios.

Um segundo ponto comum com o Brasil, pode ser detectado em certas similaridades com Machado de Assis. O patrono brasileiro deve ter bebido na fonte de Gógol: a fina ironia, a comédia, o inusitado e o freqüente diálogo entre autor e leitor, são traços comuns a estes dois magos do romance. Como Gógol é mais velho, suspeito que Machado tenha se inspirado no russo. Desconheço análises literárias fazendo esta relação, mas, se ainda não fizeram, é um prato cheio para estudos acadêmicos.

Por fim, registro meu duplo pesar: meu idolatrado Machado de Assis ficou menor e minha preocupação com os rumos que nossa “brasilidade” tomou! Queira Deus e todos os santos do sincrético panteão religioso brasileiro que não precisemos amargar as tempestades como aquelas que os russos viveram para que endireitemos o país verde-amarelo. Gógol viveu na Rússia do século XIX, mas o Brasil de Gógol, é o assustadoramente corrupto, Brasil atual.  

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O CONDE DE MONTE CRISTO - Alexandre Dumas

Este livro me foi indicado por uma ex-aluna. Uma amiga agora, que gosta de ler e começou o curso de filosofia. Ser professor é ter estas coisas boas e interessantes, como conhecer pessoas que gostam de leitura e são bem avançadas até para sua idade. Obrigado Eduarda Brum Marquetto (Bast)
 
 
Primeiramente, gostaria de chamar a atenção do leitor para o escritor. Dumas teve várias características peculiares em sua vida. Apesar de ter morrido em 1870, somente no bicentenário de sua morte foi  sepultado no panteão em Paris. Muitos não o sabem,
Túmulo no Panteão em Paris
mas Dumas era filho de um grande militar e de uma escrava, sendo portanto mulato. Nesta questão, reside grande parte do preconceito que ocorreu com ele, mesmo após sua morte. Outra questão que provavelmente deve ter influenciado o sepultamento tardio junto aos grandes escritores, foram as dívidas no final da vida, enlouquecendo os 153 credores.
Alexandre Dumas
Dumas também teve muitos casos amorosos. Muitos. Teve quatro filhos, mas assumiu somente dois, sendo um chamado de Alexandre Dumas filho, para evitar confusão.
 
Sobre a obra, que achei fantástica, houve 10 filmes inspirados nela, sendo o primeiro em 1918 e o último em 2002. Também foi feita uma série para a televisão em 1998. Além disso, o seriado “Revenge” (vingança), exibido no Brasil pela TV GLOBO, foi inspirado no livro.
 
Resumidamente, Edmond Dantès é preso injustamente em uma masmorra sem luz, através de um plano arquitetado por um grupo de pessoas impregnadas de inveja. Lá, é esquecido pelo procurador do rei propositalmente onde fica durante 14 anos, nos quais pensa muito em tirar a própria vida. A história começa a
O encontro entre Edmond e o Padre.
mudar quando conhece um padre (companheiro de masmorra, mas não de cela) e aprende muitos conhecimentos: línguas, matemática, filosofia, esgrima. Quando consegue a liberdade, descobre na Ilha de Monte Cristo um tesouro inestimável, com diamantes e muito ouro. Mais uma ajuda de seu amigo padre.
 
Com fisionomia diferente da antiga, devido ao cárcere, o evadido se infiltra na alta sociedade parisiense e começa um plano muito arquitetado para se vingar de seus algozes. Autointitula-se Conde de Monte Cristo.

 
O Conde à Direita

O livro é enorme, a edição de 2008 (Editora Zahar) tem mais de meio quilo e 1376 páginas, creio que devido ao modo de como foi publicado, em folhetins entre 1844 e 1846. Este tipo de publicação também dá ao autor um “feedback” do público, o que ajuda a lapidar o enredo. Também acredito que houve, por parte de Dumas e Marquete, seu colaborador, uma boa edição, com bons cortes, uma vez que a história do Conde no Oriente onde conhece uma bela grega, não aparece na obra.

 
Destaco algumas marcações que fiz na obra:
 
“- É típico dos espíritos fracos verem todas as coisas através do luto. É a alma que desenha por si só seus horizontes. Sua alma está escura, é ela que lhe impõe um céu tempestuoso.”
 
“ … não existe nem felicidade nem infelicidade neste mundo, existe a comparação de uma com a outra, só isso. Apenas aquele que atravessou o extremo infortúnio está apto a sentir a extrema felicidade. É preciso ter desejado morrer, Maximilien, para saber como é bom viver.”
 
“As feridas morais têm essa particularidade: elas se escondem, mas não se fecham. Sempre dolorosas, prontas a sangrar quando tocadas, elas permanecem vivas e abertas no coração.”
 
A que eu mais gosto (com um tom de ironia de Dumas):
 
“Enfim, uma aplicação do ditado: Finge valorizar-te e serás valorizado, que é cem vezes mais útil em nossa sociedade que o ditado grego: Conhece-te a ti mesmo, substituído em nossos dias pela arte menos difícil e mais vantajosa de conhecer os outros.”
Por fim, ressalto a última frase do livro: “esperar e ter esperança”.
É um romance, uma aventura, uma história de vingança, mas sobretudo, uma história de resiliência e perseverança.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

AND THE WALTZ GOES ON - Antony Hopkins

Hopkins e Rieu


Neste post apresento a execução da música intitulada "And The Waltz Goes on" de autoria de Antony Hopkins, escrita há 50 anos (ganhador do óscar pela atuação em Hannibal).

Castelo de André Rieu

Hopkins é um bom músico e pianista. Já André Rieu não precisa de grandes apresentações, possui uma orquestra própria, a qual, a partir de um telefonema se apresenta para o ensaio em seu castelo (Castelo de Torentejes), local onde mora, em Maastricht, Holanda.  


É uma música emocionante. São músicas como esta que elevam a alma.